Terça-feira, Dezembro 22, 2009
Presente de Natal
Sexta-feira, Dezembro 18, 2009
Efêmera como a neve
Quarta-feira, Dezembro 16, 2009
Sexta-feira, Dezembro 11, 2009
A few of my favorite things
Primeiro a gente era completamente refém da sessão da tarde. Tinha que ficar de olho nas chamadas de programação pra ver quando ia passar de novo, anotar, uma lembrar a outra pra não perder. Até que alguém teve a ideia de gravar no vídeo-cassete - propagandas incluídas, que remédio.
Daí aconteceu o que, descobri ontem, acontece até hoje em cada casa cheia de criança. A gente assistiu Noviça Rebelde até a fita furar. Até decorar cada fala, cada nome complicado, Liesel, Grettel, e eu durante anos quis ter uma filha chamada Brigitta. E, claro, até saber todas as músicas de cor.
Daí que quando eu vi que ia rolar uma ópera do filme aqui em Paris, eu comprei de impulso. Vi depois que comprei de impulso pro mesmo dia do show do Paul MacCartney, o que fiquei me lamentando por semanas. Até ontem. Tipo não dá pra me lamentar mais, depois de ter me embasbacado com a orquestra e os cantores, a cenografia e a concepção, de ter chorado da primeira à última música.
Eu fui parar dentro de um dos mais importantes filmes da minha infância, só e exatamente isso. Fiquei de cara de ver gente de três a oitenta anos, adolescentes, coroas, gente tipo eu, vozes de mil idiomas diferentes, o planeta inteiro unido pela mesma sessão da tarde. E nunca senti tanta falta daquelas três com um prato de brigadeiro no meio.
PS: A peça é em versão original em inglês, num dos teatros mais antigos e importantes da cidade, e ainda tem ingressos. Imperdível, no mínimo, e pra ver um pouquinho o caminho é por aqui.
Quarta-feira, Dezembro 09, 2009
Callada
Sexta-feira, Dezembro 04, 2009
O lado bom
Sou otimista por parte de pai e desconfiada por parte de mãe, mas num cenário de desilusão profunda como o que minha cidade está vivendo preciso me agarrar à veia paterna para não ter um treco.
Daí que ao invés da lama quero falar da esperança - da felicidade que tenho ao ver a Câmara Legislativa de Brasília ocupada.
O que posso dizer eu, que nunca coloquei o nariz vermelho e a cara pintada na rua? Que eu sou uma covarde política. Uma indignada de mesa de bar. Uma acomodada entusiasmada com os estudantes de hoje, que lavam a honra da minha cidade no meu lugar - e é com uma mistura de vergonha e orgulho que eu falo.
É lindo ver Brasília mostrando que não é só gabinete - é também juventude muito brava, capaz de encarar segurança burocrata e pintar cartaz escrito Câmara Democrática na parede daquele antro. Juventude que quer mais é matar aula, pode ser, mas quem mata aula na Câmara e não no shopping merece meu respeito.
Quero dizer que o ato não é isolado: meses atrás, em repúdio ao caso Geisy, o pessoal da UnB tirou a roupa em pleno campus - pode até não fazer muito sentido, mas é uma reação (e uma reação engraçada!). Sem falar no acampamento que eles fizeram no ano passado, exigindo a retirada do reitor corrupto.
Eu não devia escrever esse último parágrafo, mas escrevo: o mais legal ainda é que não me lembro de nada parecido acontecendo, por exemplo, num certo Rio de Janeiro tão corrupto quanto Brasília. Sinceramente, acho que se essa palhaçada fosse na Cinelândia ia juntar muita gente pra pedir mais um coco na praia ou mais uma rodada de chopp no Leblon - pra poder se indignar bastante sem sede. Tipo eu sempre fiz.
Sorte de Brasília com seus novos estudantes.
Quinta-feira, Dezembro 03, 2009
Cheiro de tangerina
A personagem lygiana Lorena tira a maior onda de sua amiga Lia porque ela escreve num livro que em dezembro a cidade inteira cheira a pêssego. Pois eu digo sem medo de ridicularias vindas de uma personagem fictícia qualquer que Paris em dezembro cheira a tangerina. É época, e como as pessoas gostam muito de tangerinas e como tangerina é uma fruta danada pra deixar cheiro, há um cheiro de tangerina onde quer que se vá: no metrô, numa exposição, no salão do livro.
Isso para contar a história da foto acima. Supermercado, setor de sucos em caixinhas, voltada para o público infantil. Algum espírito espirituoso achou de deixar um montão de tangerinas - modelo natural, embalagem alaranjada, design único e inimitável com gomos individuais, assinado por Deus - bem no meio do estoque de caixinhas. Garanto que não foi o próprio mercado que o fez, foi alguém. Alguém que deu um recado muito bem dado.
Não que eu estivesse prestando atenção, assim, especialmente interessada pelo setor de sucos em caixinha. Confesso que levei para casa bem mais tangerinas que eu inicialmente previa.


